Sábado, 26 de Maio de 2007

Quitexe - Uma Tragédia Anunciada

            

       

   

         PREFÁCIO

 

Neste livro de recordações, com uma linguagem simples, mas fluente e cativante, o autor transporta-nos através do tempo, relatando episódios que influenciaram de forma indelével a história de Angola.

 

Recorrendo-se da memória extraordinária sobre factos, pessoas e lugares que marcaram a sua vida há mais de 40 anos, somos obrigados a envolvermo-nos nesses dias de tragédia para portugueses e angolanos.

 

Começando o seu relato nesse longínquo 4 de Fevereiro de 61, vai, depois, descrevendo os dias, qual diário ditado de memória, até Julho desse ano, quando regressa a Portugal.

 

Vão passando, diante dos nossos olhos, o sofrimento, a angústia, a morte, o terror e, também, sobretudo, o carácter de um homem que tem a coragem de dizer não! Não à barbárie, não à vingança, não à violência! Um homem que tem horror à guerra, mas que é nela envolvido. Não foge, mas mantém os valores de respeito pela dignidade humana que sempre o nortearam.

 

Com uma profunda amizade e respeito pelos povos do Quitexe, vai ainda mais fundo no baú das recordações e carreia episódios ou apenas relatos do quotidiano que nos levam a compreender (não a justificar) o horror vivido naquela madrugada de 15 de Março.

 

Mas não cai na tentação, porque a viveu, de pintar a colonização de Angola a preto e branco, assumindo complexos de culpa por uma acção que teve, também, muito de meritório. Aqui estão os relatos das privações, do isolamento, das doenças e das mortes nos primeiros anos de vida naquelas terras. Hoje só é possível compreender esta acção colonizadora se atentarmos nas ainda mais duras condições de vida a que a generalidade do povo português estava sujeito na sua pátria.

 Surgem, então, as contradições de quem assume a colonização, não com o chicote e a palmatória, mas inserida no contexto histórico da época. Consciente, também dos erros e crimes dessa colonização, tem a noção de que, depois de tantos sacrifícios os povos angolano e português poderiam e deveriam ter tido outro destino que não a guerra fratricida, deixando em escombros uma obra que os unia no melhor e no pior.

Agradeço, pois, ao meu Pai este livro, pelo reencontro que me proporcionou com a terra que me viu nascer, pelo prazer que me deu e pelo orgulho que senti ao lê-lo e pelo exemplo dado às novas gerações de que os valores da dignidade, da exaltação da vida, da amizade e da solidariedade são universais, eternos e compensadores.

 

Obrigado!

 

João Luís  Matos Garcia

 

publicado por Quimbanze às 22:55

link do post | comentar | favorito
1 comentário:
De Anónimo a 31 de Julho de 2008 às 18:13
Vivi no Quitexe de 1961 e 1963. Como funcionário administrativo. Entre os 18 e os 20 anos de idade. Foi aliás no Quitexe que fui recenseado para o Serviço Militar. Tenho óptimas recordações do Quitexe e das suas gentes.

Comentar post

.outras páginas

.posts recentes

. O Kipombo

. A repressão

. O ataque à sanzala do Amb...

. A PIDE

. GENERAL HUMBERTO DELGADO

. Detido pela Pide

. Dia 17

. Dia 16

. DIA 15

. Dia 14

.arquivos

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

.Novembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.pesquisar

 
blogs SAPO

.subscrever feeds